O ser humano foi criado à imagem
e semelhança de Deus. Desde sua criação traz inscrito em seu coração esse
desejo de buscar a Deus. É uma resposta imediata à criação, pois Deus criou o
homem para viver em amizade com Ele, em fraternidade entre si e em harmonia com
a criação.
O desejo de Deus presente no
coração humano levou-o a expressar essa capacidade de Deus por meio de ações
rituais, orações, meditações e de culto. Nas diversas tradições culturais da
humanidade sempre estiveram presentes expressões de religiosidade.
No Judaísmo, por exemplo:
existiam os sacerdotes da tribo de Levi. Eles eram os responsáveis pelas ações
cultuais do povo santo. Eram vigários, pois agiam em nome de Deus para abençoar
o povo com benção para as colheitas, proteção para as guerras, perdão para os
pecados cometidos, e ação de graças para proclamar a grandeza e a bondade de
Deus.
Mais tarde no exílio da Babilônia
surgem os rabinos com o surgimento da Sinagoga. Nesse lugar não se oferecem
sacrifícios, mas se escuta a Palavra que alimenta a fé do povo e o orienta na
fidelidade aos mandamentos.
Na plenitude dos tempos Deus
enviou o seu Filho. O Verbo de Deus assumiu a cultura do povo hebreu pelo
mistério da encarnação. Valida, portanto as instituições cultuais existentes.
Jesus participa inclusive dessas ações.
É circuncidado. José e Maria
oferecem o sacrifício previsto pelo resgate da primogenitura, Maria é
purificada. De sua adolescência conhecemos o episódio da perda e reencontro no
Templo por ocasião da festa anual dos hebreus. Jesus ia ao Templo para rezar.
No inicio do seu ministério público
vai a Nazaré sua cidade. É no ambiente da Sinagoga onde proclama seu programa
de vida.
Com o auto-entrega da sua vida na
Cruz inicia um momento novo, como uma nova criação.
Se da criação nasceu o sacerdócio
como expressão cultual representativa da capacidade de desejo inscrita no
coração humano, da nova criação realizada pelo Cristo nasce um novo sacerdócio.
Trata-se de "um dom do
coração de Jesus", como dizia São João Maria Vianney.
Na ultima ceia, Jesus reúne os
seus discípulos e institui a Eucaristia.
Se a Eucaristia gera a Igreja,
podemos dizer em igual medida que a Eucaristia gera o sacerdócio.
Eucaristia e sacerdócio se exigem
mutuamente.
Por isso que enquanto houver
Eucaristia existirá o sacerdócio.
Todo dom comporta uma missão. A
missão do sacerdote é em primeiro lugar perpetuar a memória de Jesus obedecendo
as suas palavras no rito da instituição da Eucaristia "fazei isso em
memória de mim".
Portanto, celebrar cada dia a
Santa Missa. Cada vez que um sacerdote celebra a Missa se torna evidente para o
povo cristão a necessidade desse ministério. Digo ainda mais: nascem
espiritualmente novos sacerdotes.
Anunciar a Palavra de Deus e a
chegada do Reino de Deus. Esta é a segunda missão do sacerdote.
Jesus anunciou o Reino com o
anuncio da Palavra. Chamou à conversão.
O sacerdote deve fazer o mesmo.
A terceira missão do sacerdote é
consequência da segunda: perdoar os pecados de quem quer fazer um caminho de
conversão.
Assim o sacerdote faz memória de
Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote.
Continua no meio do mundo a
missão de salvação.
Missão essa que já estava
presente no coração de Deus quando Ele chamou o ser humano à existência na criação,
pois Deus cria para salvar.
O sacerdócio é um dom do coração
de Jesus porque assim como o primeiro sacerdócio nasceu da necessidade de
responder à capacidade de desejo de Deus presente no coração humano no princípio,
na plenitude dos tempos a nova criação nos deu um novo sacerdócio. O primeiro
encontra seu pleno significado no segundo.
O primeiro passou: o segundo é
eterno, porque é eterna e nova a Aliança.
Padre Piamartino Paulo Rocha

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